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Professoras comentam a criação de novas disciplinas por parte de parlamentares

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Apesar de serem os mais afetados pela eventual criação de novas disciplinas no currículo escolar, os profissionais da educação raramente são ouvidos sobre o tema. Leia abaixo os depoimentos de duas professoras da rede pública da Grande São Paulo para o Observatório:

 

Parlamentares deveriam se interessar em conhecer melhor as grades curriculares

 

Sandra Scaravelli, professora da rede pública:

 

“Acho que poderia ter uma consulta maior ao professorado, a quem atua, e aos sistemas de ensino. Eu imagino que os parlamentares deveriam se interessar em conhecer melhor as grades curriculares, porque muitos sistemas de ensino já inserem nas grades curriculares esses assuntos da atualidade, e trabalhando os temas com sistemas transversais, atravessando várias disciplinas. Não há necessidade de ter uma nova matéria para um determinado tema em específico.

 

Em relação ao esperanto, por exemplo, é uma ideia muito bonita, mas eu não sei se é muito prática. Na verdade o nosso grande objetivo na escolarização é o domínio da língua pátria. Se você tem proficiência nessa língua, é mais interessante, principalmente os alunos do ensino fundamental.

 

Eu acho que os sistemas de ensino estão melhorando bastante. Só deliberar sem a consulta, sem saber como as coisas estão funcionando, pode ser um tiro no pé. Não há necessidade de se criar as novas matérias para isso. Excetuando as disciplinas de sociologia e filosofia, que são super pertinentes”.

 

Inclusão de novas disciplinas acaba sobrecarregando o currículo escolar da escola pública

 

Jacqueline Simões, professora da rede pública de Diadema:

 

“Me preocupa porque a inclusão de novas disciplinas acaba sobrecarregando o currículo escolar da escola pública, o que já é um problema. Já é um tempo reduzido na escola pública, e você ainda inclui novas disciplinas. A inclusão de disciplinas coloca em questão a função da escola pública.

 

Primeiro que a escola pública é um espaço onde o Estado está presente na sociedade, principalmente na mais carente. Na escola pública, por exemplo, há espaço para campanhas de vacinação e eleições, e isso toma muito do tempo escolar. Isso prejudica um pouco o trabalho pedagógico na sala de aula.

 

Outra coisa que eu acho importante destacar é que, colocando a escola pública no mesmo patamar de avaliação das escolas privadas, as escolas públicas sempre acabam tendo um desempenho pior. Claro, vários motivos podem ser colocados para justificar isso. Mas um deles é o tempo pedagógico, que acontece por conta de que ele tem mais tempo para a sua destinação escolar.

A atuação dos parlamentares no campo da educação é assunto de mais um debate da série Desafios da Conjuntura, promovido pelo Observatório da Educação da Ação Educativa no dia 21 de setembro, em São Paulo. O objetivo é refletir sobre o papel dos parlamentares na formulação e monitoramento das políticas educacionais, já que o tema é pouco debatido – mesmo no período pré-eleições. Saiba como participar aqui.

Comentários  

 
0 # Pergunta?Elias 12-02-2012 09:50
Alguem pode me dizer quais são estas novas matérias??? Aqui quem fala é um aluno com muitas duvidas!!!
Se alguem saber a resposta envia para o meu E-mail:elias_bort @live.com
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