EJA e Educação nas Prisões

Educadores e pesquisadores participaram pela Internet de seminário sobre educação na prisões

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O seminário “Desafios para implementação das Diretrizes Nacionais sobre Educação nas Prisões” teve transmissão ao vivo pela página eletrônica do Observatório da Educação. Pessoas que não puderam estar presentes na Ação Educativa tiveram a oportunidade de participar com dúvidas e opiniões por meio de bate-papo online.


Houve a participação pelo chat de 60 pessoas, de vários estados (Alagoas, Sergipe, DF, Rio de Janeiro, Paraná, Bahia, Espírito Santo, Amazonas e de São Paulo) e diferentes cidades, tais como Bauru, São Carlos e Ribeirão Preto, em São Paulo (Acesse aqui o conteúdo completo do chat).


Jane, de Aracaju (SE), afirmou que o maior desafio para a implementação das diretrizes é “sua apropriação pelos Estados”. Ela gostaria que o MEC especificasse as estratégias para estimular as secretarias estaduais a implementarem as diretrizes.


Já Camila, pesquisadora de São Carlos, perguntou a Felipe Melo como “ficará a figura do educador preso” a partir “da implemantação das diretrizes no Estado de São Paulo”. Melo afirmou que continuará “preservado”, podendo exercer funções, pois se trata de “uma figura importante”. Camila também questionou qual é a porcentagem de aprovados no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA). Segundo Melo, o número chega a 75% por área de conhecimento, mas a certificação nas quatro áreas cai para 40%.  


O pedagogo do Conjunto Penal de Juazeiro Bahia, Ênio Silva, questionou como pensar na implementação das diretrizes “se a educação em muitos estabelecimentos é sinônimo de regalias”? Também questionou se “a luta pelo reconhecimento da remição pelo estudo nos estabelecimentos prisionais não pode provocar, nos sujeitos privados de liberdade, a noção desvirtuada da importância da educação para a emancipação”.


Silvio, da Funap de Ribeirão Preto, defendeu que o caminho necessário a seguir é “fortalecer propostas pedagógicas que realmente privilegiem a construção democrática da educação nas prisões; implantação de modelos prontos de educação não permite captar a especificidade de um modelo de educação prisional; envolver todos os atores que participam deste processo (alunos, funcionários do sistema prisional, profissionais da educação e gestores etc) no cenário prisional”.


Nilton Carlos, de Manaus (AM), afirmou que na cidade está sendo trabalhada a “construção da resolução para trabalhar com EJA/ prisional. Estamos com data de uma audiência Publica para o dia 07/06 para discutir com a sociedade”.

EaD

Sobre a educação a distância, Camila afirmou que “pode até atingir a eficiência desejada para a aprovação no ENCCEJA, porém não é eficaz nos debates sociais com os sentenciados, que os leva a compreenderem a realidade em que estão inseridos para que ao retornarem à sociedade retomem suas vidas de forma diferente e longe do crime”.


Para Regina, da Funap de Bauru, a EaD “é um caminho ruim, dada a impessoalidade do vídeo, considerando que a prisão já é local específico, não só para o cumprimento da pena, mas principalmente para o processo de ressocialização. Nesta medida, penso que a educação tem tudo a ver com esse processo para o retorno ao convívio social”.

Comentários  

 
0 # Angustias e InquietaçõesCarol Costa 28-10-2011 09:00
Chamo-me Caroline, mas prefiro ser tratada por Carol. Sou professora da Rede Municipal de Educação de Salvador - SECULT - há 11 anos. Porém, foi no ano passado que comecei a trabalhar com adolescentes em conflitos com a Lei, em privação de liberdade, que estão cumprindo medidas socioeducativas na CASE/SSA.

Como os demais colegas q atuam na Rede, nunca havia me dado conta da carência de livros, artigos e trabalhos que abordem de forma efetiva a nossa atuação junto a essa clientela tão peculiar. Garanto pra vocês que nos primeiros dias fiquei desesperada! Não sabia a quem recorrer ou mesmo quem consultar em busca de suporte profissional e pessoal. Todos os meus teóricos ficaram na portaria da unidade, guardados juntos aos meus pertences.

Diante de minhas angustias e frustações, comecei a fuçar a net em busca de algo que pudesse se servir de base, algo que pudesse amparar e embasar meu trabalho. Tudo que consegui encontrar foram poucas publicações e indicações de alguns sites de busca. Mas fiquei cada vez mais decepcionada por não encontrar nada que realmente estivesse voltado para os meus alunos - que já não são mais crianças e ainda não são adultos - mas, como todo professor fui encontrando meu jeito de me relacionar e mediar às atividades durante todo o processo de ensino-aprendizagem desenvolvido nesta Unidade Escolar. O motivo das minhas angustias e frustações? Muitos raros artigos voltados para essa clientela em especial.

Fiquei feliz quando uma ex-colega dos tempos de faculdade me falou do trabalho realizado por vocês e, assim que soube, vim com toda sede em busca de algo mais para enriquecer meu espirito, que está carente de subsídios e embasamentos teóricos que possam fundamentar a minha pratica pedagógica. Mas uma vez fiquei um tanto decepcionada quando me deparei com artigos riquíssimos voltados à população carcerária adulta e, mais uma vez, meus adolescentes foram esquecidos, jogados para escanteio, abandonados. E nós, professores desses, renegados a própria sorte.

Se possível, gostaria de ver algum artigo que abordasse essas questões e sugerir que o mesmo também faça parte de uma roda de conversas ou um debate no grupo. E quero poder fazer parte deste espaço para expor minhas experiências profissionais e assim, quem sabe, ajudar outros colegas que estão na mesma situação ou em semelhante à minha.

Grata pela atenção,

Carol Costa
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0 # Olá, Carol!Equipe do Observatório da Educ 28-10-2011 11:03
Muito obrigada por nos enviar seu depoimento. Estamos programando um debate sobre o tema, a partir do trabalho realizado pela Ação Educativa. Com certeza, estamos atentos para a questão. Assim que fecharmos a data, entraremos em contato para convidá-la.

Atenciosamente,
Fernanda, editora do Observatório
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0 # especializaçaoJamille Ribeiro Pereira de Mor 30-12-2011 13:46
Olá, encontrei este site quando procurava por uma especializaçao que pudesse fazer para trabalhar com educaçao nas prisoes. Sou do Paraná e gostaria de mais informaçoes. Obrigada.
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0 # 'Educação para Pessoas Privadas de Liberdade"Pastora Maria dos Santos 02-01-2012 16:30
Sou professora da rede pública de ensino no município de Maceió AL com maior parte de minhas atividades dedicada a Educação de Jovens e Adultos, e pesquisadora na área de Edc Prisional há 5 anos, e predendo tentar o mestrado defendendo essa temática.
Portanto,gostar ia que me indicassem obras e autores para que eu possa fundamentar meus estudos.
Obrigada a toda equipe.
Abraços, profª Pastora.
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0 # Educação em prisões BrasileirasNéstor González 03-04-2012 19:22
Olá boa noite, Sou Néstor González, colombiano morando aqui no Brasil faz 7 meses. Trabalhei com mulheres "apenadas" no meu ´país de origem, interessando-me sobre esta temática.
Por isso gostaria ter mais informação pois estou fazendo doutorado e pretendo realisar meu trabalho final sobre a educação em prissões.
Gostaria de ter sua ajuda e o seu direcionamento e os mesmo tempo, poder compartilhar minha experiência e conhecimento.
Grato pela atenção.
Néstor G.
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0 # Néstor González 03-04-2012 19:23
Olá boa noite, Sou Néstor González, colombiano morando aqui no Brasil faz 7 meses. Trabalhei com mulheres "apenadas" no meu ´país de origem, interessando-me sobre esta temática.
Por isso gostaria ter mais informação pois estou fazendo doutorado e pretendo realisar meu trabalho final sobre a educação em prissões.
Gostaria de ter sua ajuda e o seu direcionamento e os mesmo tempo, poder compartilhar minha experiência e conhecimento.
Grato pela atenção.
Néstor G.
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